Novo documentário de Spike Lee retrata o Brasil sob ótica racial

Spike Lee chega ao saguão do hotel com uma jaqueta da seleção brasileira. Antes de receber um grupo de jornalistas em São Paulo, passou um tempo revendo imagens de seu encontro com Gilberto Gil anteontem no Rio, os dois sorridentes no quadro.

No Brasil por uma semana, o cineasta americano entrevistou 30 personalidades em São Paulo, Rio e Brasília, muitas delas negras –como o artista Emanoel Araújo, o ator Lázaro Ramos e a ex-ministra Benedita da Silva–, para o documentário “Go Brazil Go”, que ele pretende lançar até a Copa do Mundo.

Lee também encontrou a presidente Dilma Rousseff, Lula e deputados e ministros em Brasília, onde acompanhou o julgamento sobre as cotas raciais no Supremo Tribunal Federal, tema que deve ter destaque em seu filme.

“Quero olhar o país a partir dessa questão racial, mas o filme não será sobre isso”, disse Lee. “Fiquei surpreso quando vim ao Brasil pela primeira vez e soube que metade da população era negra e que essa metade era também a mais pobre. Ligava a TV e não via nenhum negro.”

Ele diz que percebeu mudanças nesse quadro e que teve um “ótimo” jantar na casa do ator Lázaro Ramos, o primeiro protagonista negro de uma novela brasileira.

“Se você tinha uma antena parabólica e assistia aos canais brasileiros de qualquer lugar do mundo, achava que os brasileiros eram todos loiros de olhos azuis”, diz Lee. “Mas o que importa não é quem está em frente às câmeras, é quem está atrás delas, quem manda no que aparece no quadro. Temos de brigar para estar nessa posição.”

Isadora Brant/Folhapress

O diretor de cinema Spike Lee, que fala sobre seu documentario "Go Brazil Go". O diretor de cinema Spike Lee, que fala sobre seu documentario “Go Brazil Go”.

Lee disse que todas as conversas que teve até agora revelaram grande otimismo em relação ao futuro do país.

“É um momento excitante, com muita história acontecendo, o crescimento econômico, a nova classe média, a primeira presidente mulher”, enumerou. “Não sei como falar do país num momento desses em só duas horas, poderia fazer uma minissérie.”

Ele esteve no Brasil pela primeira vez em 1987, quando participou do Festival do Rio, e depois em 1995, quando gravou um videoclipe de Michael Jackson na favela Dona Marta, no Rio, local que voltou a visitar nesta viagem.

“Sei que muitas pessoas devem estar pensando por que um americano vem fazer um filme sobre o Brasil, por que um cara de um país fascista como os Estados Unidos da América está olhando para o Brasil”, disse. “Isso quando a maioria dos americanos nem tem passaporte e ainda acha que este país é só mulheres peladas e futebol.”

No caso, o esporte também terá peso no filme. Lee viu a partida entre Botafogo e Vasco no Engenhão anteontem no Rio, entrevistou o ex-jogador e agora deputado Romário, que ele chama de “my man”, e tinha encontro marcado com Neymar ontem, seu último dia em São Paulo.

Lee deve voltar mais oito vezes ao país até o ano que vem para gravar todas as entrevistas de “Go Brazil Go!”, sendo que a próxima viagem deve acontecer em julho. Ele garante que o filme dará uma visão “equilibrada” do país e que não será uma “propaganda Câmara de Comércio”.

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